As Fronteiras de Moçambique

 

A CORRIDA IMPERIALISTA E A DELIMITAÇÃO DAS FRONTEIRAS DE MOÇAMBIQUE

A questão da delimitação das fronteiras e ocupação efectiva de Moçambique foi uma das deliberações da Conferência de Berlim (1884/1885), único facto para legitimar que era colónia portuguesa. Como se sabe, Portugal e Inglaterra tiveram vários conflitos, tratados e arbitrariedades que definiram as fronteiras actuais de Moçambique.

No século XVIII, os portugueses, ingleses e austríacos entraram em conflito pela posse da Baía de Lourenço Marques (Delagoa Bay), actual Maputo, porém, os portugueses defendiam os direitos históricos, pelo facto de terem descoberto em 1544. Este conflito agudizou-se na década de 1820 quando o capitão inglês, William F. Owen, ignorando os direitos históricos portugueses, assinou vários tratados com chefes da região Sul de Lourenço Marques, procurando afastar Portugal diplomaticamente.

A baía de Lourenço Marques seria um lugar estratégico para os ingleses, porque iria faciltar o escoamento dos produtos provenientes da colónia de Cabo, como reserva de mão de obra barata para as plantações britânicas na África do Sul, bem como para impedir a continuada entrega de armas aos Zulu. Perante essa actuação, os portugueses fizeram aliança com o Transvaal (boers).

1.      Fronteira Sul-ocidental

No dia 29 de Julho de 1869, Portugal e Transvaal assinaram um tratado em Pretória, em que Transvaal reconhece os direitos de Portugal em toda área de Lourenço Marques até paralelo 26º30’ Sul, estabelecendo os Montes Libombos como fronteira de Moçambique com a Eswatini e com parte oriental de Transvaal.

O reconhecimento desta fronteira, entre Portugal e Inglaterra, apenas foi possível em 24 de Julho de 1875, graças, a intervenção do Presidente francês, o Marchal, Mac Mahon.

2.      Fronteira Norte

Em Dezembro de 1886, Portugal e Alemanha assinaram um tratado, em que se reconhece o rio Rovuma como fronteira norte de Moçambique e o direito de Portugal exercer a sua influência nos territórios entre Moçambique e Angola. Portugal em troca fez algumas concessões no Sul de Angola (actual Namíbia) a favor da Alemanha.

Esta definição, mais tarde, criou conflitos militares entre Portugal e Alemanha. Em 1894, Alemanha ocupou Quionga expulsando a reduzida guarnição portuguesa ali que estava estaccionada e hastearam a bandeira em ambas as margens do rio Rovuma. Portugal voltaria a ocupar depois da primeira guerra mundial (1914-1919).

3.      Restantes fronteiras

Em 1887, é apresentado oficialmente o Mapa Cor-de-Rosa. A 11 de Janeiro de 1890, o governo inglês deu ultimato a Portugal para se retirar das Rodésias do Sul e do Norte e Niassalândia. Os ingleses para acelerarem o processo, avançaram até Macequesse e prenderam o comandante Paiva de Andrade e Manuel de Sousa, no dia 15 de Novembro de 1890.

Em 11 de Junho de 1891, Portugal e Inglaterra assinaram um tratado das fronteiras actuais de Moçambique com Malawi, Zâmbia, Zimbabwe e Natal.

 

AS RESISTÊNCIAS NO SUL, CENTRO E NORTE DE MOÇAMBIQUE

Após a Conferência de Berlim, Portugal lançou-se no processo de destruição das unidades políticas de Moçambique, destacando dois momentos principais: a ocupação militar e a instalação dos Aparelhos do Estado Colonial.

1.      A Ocupação militar (As campanhas de pacificação)

O período de ocupação colonial divide-se em três partes:

§  As campanhas ocorridas entre Lourenço Marques até Pungué realizadas nos sertões de Lourenço Marques, Inhambane e Sofala.

§  As campanhas em território do Vale do Zambeze e zonas limítrofes.

§  As campanhas ocorridas entre Vale do Zambeze e o rio Rovuma.

 

2.      A Instalação dos Aparelhos do Estado Colonial

Em 1907, durante o governo de Freire de Andrade[1], verifica-se uma reorganização administrativa da colónia de Moçambique, sob direcção de Aires d’Ornelas, militar e político português que se destacou nas resistências em Marracuene e Coolela, passando a ser constituída por cinco (5) distritos. Os cinco distritos passam a ser Lourenço Marques, Inhambane, Tete e Quelimane e Moçambique.

Perante a ocupação colonial, num processo que durou mais de duas décadas (1886-1920), os moçambicanos resistiram para defender a sua soberania, independência e valores culturais. Utilizaram como forma de luta o confronto directo, a aliança ou a diplomacia.

 

A resistência no Sul de Moçambique

As campanhas militares iniciaram em 1895. O Império de Gaza estendia-se entre a Baía de Maputo e o rio Zambeze. O Império de Gaza era prioritário para os portugueses devido a vastidão. António Enes foi enviado para Moçambique com esse objectivo. Primeiro atacou os súbditos de Ngungunhane. Em Marracuene, houve o aumento do imposto de palhota, isso criou uma revolta. Perante essa situação, os chefes dos reinos Magaia (Mahazule) e de Zixaxa (Nuamantibjana) dirigiram um levantamento armado contra a presença portuguesa na região dando lugar à batalha de Marracuene, a 2 de Fevereiro de 1895.

Devido à superioridade militar dos portugueses, Mahazule e Nuamantibjana fogem e refugiam-se no império de Gaza.

Perante a recusa de Ngungunhane de entregá-los, os portugueses decidiram atacar o império de Gaza, desenvolvendo as operações em três frentes:

§  Setembro de 1895 – Batalha de Magul

§  Outubro de 1895 – Os portugueses penetraram pelo Vale do Limpopo e submeteram Xai-Xai e Bilene

§  Novembro de 1895 – batalha de Coolela, perto de Manjacaze. Os guerreiros de Ngungunhane, com coragem e valentia, utilizaram a táctica de meia-lua para defender o seu Império. Os portugueses devido a sua superioridade bélica-militar venceram e Ngungunhane refugiou-se em Chaimite, onde foi preso, no dia 28 de Dezembro de 1895, por Mouzinho de Albuquerque, nomeado governador do distrito militar de Gaza.

Ngungunhane, juntamente com o seu filho Godide, seu tio Nuamantibjana foram deportados para Açores onde morreu em 1906. As suas esposas foram deportadas para São Tomé e Princípe. A resistência terminaria a 21 de Julho de 1897, com a morte de Maguiguane Cossa em pleno combate, em Magude.

Outra figura de resistência foi o rei Nguanaze, de Maputo que fugiu e refugiou-se a Sul de Ponta de Ouro, fundando outro Reino.

 

Questionário

1.      Indique as figuras de resistências da região Sul de Moçambique.

2.      Quando e onde foi preso Ngungunhane?

3.      Indique as causas da transfência da capital de Gaza de Mossurize para Manjacaze.

4.      Quem foi?

a)      António Enes

b)      Mouzinho de Albuquerque

5.      Indica as causas da Batalha de Gwaza Mutini, em Marracuene no dia 2 de Fevereiro de 1895.

6.      Qual foi o protesto dos portugueses para atacarem o Império de Gaza?

7.      Quando é que foi preso Ngungunhane?

 



[1] Foi governador de Moçambique entre 1906-1910.

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